Na rotina de controle microbiológico, um dos maiores desafios na investigação de Salmonella spp. é lidar com células injuriadas, isto é, microrganismos que continuam viáveis, mas que sofreram algum tipo de lesão por processos térmicos, sanitizantes ou estresse ambiental.
Nessas condições, a escolha do meio de recuperação e da metodologia de coleta deixa de ser apenas uma etapa operacional e passa a ser um fator decisivo para evitar falsos-negativos e garantir resultados tecnicamente robustos.
Água Peptonada Tamponada (BPW): padrão para pré-enriquecimento e recuperação de Salmonella injuriada
A Água Peptonada Tamponada (BPW – Buffered Peptone Water) é internacionalmente reconhecida e recomendada como meio padrão de pré-enriquecimento para Salmonella spp., especialmente quando há possibilidade de células injuriadas.
Isso acontece porque a BPW cria condições ideais para que células lesionadas consigam se reparar e retomar o metabolismo, antes de serem expostas a etapas seletivas do método.
Por que a BPW funciona tão bem?
A BPW oferece três vantagens técnicas centrais:
- pH estável: o sistema tampão mantém o pH controlado, evitando variações que podem prejudicar a recuperação celular.
- suporte nutricional: as peptonas fornecem nutrientes essenciais para que células lesionadas restabeleçam funções metabólicas.
- ambiente não seletivo: por não ser seletiva, a BPW favorece a reparação de membranas e estruturas celulares danificadas, etapa crítica para a retomada do crescimento.
Por que não usar salina como alternativa?
Soluções como salina atuam apenas como diluente isotônico. Ou seja: ajudam a manter condições osmóticas, mas não oferecem nutrientes.
Na prática, isso pode ser um ponto crítico quando a Salmonella foi exposta à desinfecção ou calor: o microrganismo pode estar viável, porém incapaz de se multiplicar sem um meio adequado de recuperação, elevando o risco de resultado falso-negativo.
Por isso, quando o objetivo é maximizar a sensibilidade do método e reduzir risco analítico, a BPW é a escolha mais segura e mais reconhecida tecnicamente.
Após desinfecção: por que usar caldo Letheen no monitoramento ambiental
Em monitoramento ambiental realizado após procedimentos de higienização, a prioridade muda: além de recuperar microrganismos, é preciso neutralizar resíduos de sanitizantes que possam continuar agindo após a coleta.
Nesses casos, o recomendado é o caldo Letheen.
O que o Letheen faz de diferente?
O Letheen contém neutralizantes específicos, como lecitina e polissorbato, capazes de inativar resíduos de sanitizantes. Isso evita que o desinfetante residual:
- continue agindo durante o transporte da amostra;
- iniba o crescimento na incubação;
- reduza a viabilidade dos microrganismos presentes.
Sem essa neutralização, o resultado pode não refletir a condição real da superfície no momento da coleta — aumentando, novamente, a chance de falsos-negativos.
Em resumo: o caldo Letheen protege a integridade analítica da amostra, garantindo que o resultado represente fielmente o cenário microbiológico do ambiente.
Monitoramento de grandes áreas: propés umedecidos como estratégia mais representativa
Quando o objetivo é monitorar áreas amplas, a eficiência da amostragem influencia diretamente a representatividade do resultado. Nesse cenário, a coleta com propés de arrasto umedecidos é uma das metodologias mais indicadas, pois permite:
- amostragem de uma área maior em um único procedimento;
- maior representatividade microbiológica do ambiente;
- redução da variabilidade que ocorre ao depender apenas de pontos isolados.
Para garantir a confiabilidade do processo, recomenda-se que a coleta seja feita com botas e luvas estéreis, reduzindo risco de contaminação cruzada e preservando a integridade da amostra.
Nesse contexto, o Kit Bota e Luva Estéreis oferece uma solução prática para padronizar o procedimento, aumentando segurança e consistência na rotina de amostragem.
bioBoaVista como alternativa para padronizar a recuperação e a coleta na investigação de Salmonella spp.
Na prática, a diferença entre um resultado confiável e um falso-negativo muitas vezes não está apenas no “passo a passo” do método, mas na qualidade e na consistência dos insumos usados para recuperação e amostragem. Por isso, contar com um fornecedor que ofereça meios e materiais de coleta com padronização de lote, rastreabilidade e suporte técnico ajuda a reduzir variações e aumentar a robustez analítica do processo.
A bioBoaVista é uma alternativa para laboratórios e indústrias que buscam soluções IVD voltadas à rotina de microbiologia, com foco em segurança, qualidade e conformidade, apoiando etapas críticas como:
- pré-enriquecimento e recuperação de células injuriadas, em que a escolha de um meio adequado (como BPW) impacta diretamente a sensibilidade do método;
- monitoramento ambiental após higienização, em que meios com neutralizantes (como Letheen) são determinantes para evitar que resíduos de sanitizantes continuem interferindo na amostra;
- coletas em grandes áreas, nas quais a padronização do procedimento (incluindo itens estéreis de barreira e amostragem por arrasto) aumenta a representatividade e reduz o risco de contaminação cruzada.
Ao integrar esses insumos de forma consistente — do meio de recuperação ao material de coleta — a rotina ganha em reprodutibilidade, reduz retrabalho investigativo e fortalece a tomada de decisão baseada em resultados microbiológicos mais confiáveis.
Conclusão: decisões técnicas que reduzem risco e aumentam sensibilidade
A investigação de Salmonella spp. exige cuidado especial quando existe a possibilidade de células injuriadas. Nesses casos, a confiabilidade do resultado depende de escolhas técnicas consistentes:
- BPW para pré-enriquecimento e recuperação de Salmonella injuriada;
- Caldo Letheen para monitoramento ambiental após desinfecção, neutralizando sanitizantes residuais;
- Propés umedecidos (com botas e luvas estéreis) para monitoramento de grandes áreas com maior representatividade.
Mais do que detalhes operacionais, essas escolhas são decisões estratégicas que impactam diretamente a sensibilidade do método, a segurança analítica e a qualidade do controle microbiológico.
*Com informações de Ludimila Alfredo – setor de Qualidade da BBV.








